A porta está trancada para você
Sei lá sabe, o barco furou, a canoa virou e eu desisti. É
moreno, eu avisei tantas vezes que isso iria acontecer, mas você não quis
acreditar e no fundo, nem eu. Achei que nós dois seríamos aquele tipo de casal
que fica velhinho e pode contar para os netos que o nosso ioiô deu certo. Mas
não deu. Cansei de esperar o momento que você iria aparecer, não quero mais
ouvir o barulho do seu carro a noite e saber que vou acordar sozinha no dia
seguinte. Eu cansei de você moreno.
Joguei fora as nossas lembranças – que nem eram tantas e a
maioria era igual -, apaguei o seu número, parei de te seguir e decidi que iria
esquecer você. Eu chorei moreno, muitas e muitas vezes, por não entender o
porquê de você não querer ficar, porque qualquer outra opção era melhor. Fugi
da nossa roda de amigos e parei de atender as ligações. Foi quando você se deu
conta de que eu estava indo embora e então bateu o desespero, não é? O seu
ponto de segurança, refúgio, ou seja lá qual foi o nome que você deu para
gente, estava partindo. Foi aí que você se deu conta de que gostava de mim ou o
seu ego foi pisoteado e isso doeu? Seja qual for a opção, já é tarde.
Meu telefone tocou tantas vezes que a bateria acabou e
adivinha? Eu não me importei. Antes, com certeza, teria saído correndo para te
atender ou para colocar o telefone para carregar caso você ligasse. Você não
ligava. Nem para o meu telefone e nem para mim. Quando a ficha caiu moreno,
senti tanta vergonha que quis me esconder. Mas todo mundo sabia do papel de
trouxa que eu fazia há anos. Inclusive eu. Demorei, mas cumpri o que eu tinha
prometido da primeira vez que você foi embora – “um dia, você vai voltar e a
porta dessa casa vai estar trancada para você” -. E ela está e eu nem
moro mais lá.



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